Muita gente inclusive eu de vêz em quando fica pensando em um motivo que justifique a paralização das operações comerciais da bitolinha em 1984.Não conheço uma pessoa que não sinta saudades ou tem curiosidade a respeito das viagens de trem no trecho entre Antônio Carlos e Aureliano Mourão (pra não extender a lista com Águas Santas,Barbacena,Lavras e Barra do Paraopeba).
A ferrovia foi sendo erradicada aos poucos sendo a primeira parte o trecho de Barra do Paraopeba a Pompeu,alguns trechos foram alargados para bitola métrica,mas entre os principais motivos estavam o fato de uma locomotiva a vapor ser muito menos econômica do que uma a diesel,também pesou o fato de os mesmos locais atendidos pela ferrovia já estarem sendo conectados por estradas,só para se ter uma idéia o trem levava cerca de seis horas de Antônio Carlos até São João del-Rei e outras seis desta até Aureliano Mourão,é caro leitor você não leu errado,eram doze horas de viagem de Antônio Carlos até Aureliano Mourão,mas esse tempo todo é justificado facilmente se você procurar no programa Google Earth as marcas no terreno de onde ficava a linha da bitolinha,você vai reparar que haviam muitas curvas pra desviar de relevos altos evitando assim a construção de túneis,ou seja o trem não era um transporte rápido,talvêz por isso as pessoas estivessem preferindo viajar de ônibus ou carro,mas e as cargas?Bom,desde o começo o transporte de cargas sempre foi muito importante,os trens transportavam laticínios,tecidos,fumo,cereais,lenha,etc...
Muita gente não sabe mas a bitolinha contribuiu e muito para a construção da Usina de Itaipu,mas como se ela está localizada sobre o Rio Paraná,na fronteira entre Brasil e Paraguai e a bitolinha jamais atravessou as divisas de Minas Gerais?Simples,os trens eram abastecidos com cimento em Barroso e chegando em Aureliano Mourão a carga era transferida para os trens de bitola métrica que seguiam para Maringá e de lá para a usina,porém com o término das obras as autoridades simplesmente deram a ordem para destruírem essa ferrovia centenária pois o trem já "não prestava mais" e era anti-econômico.Pois é,enquanto a ferrovia servia aos interesses do governo estava tudo certo,mas o governo não estava nem aí para a nossa história e o povo assistiu calado os dormentes e os trilhos sendo arrancados e a maioria das locomotivas sendo apagadas para sempre.
As locomotivas a vapor podem até ser anti-econômicas,mas imagine se os trilhos tivessem sido preservados,poderiam fazer de vêz em quando trens especias para passeio ou turismo até Prados,Ibituruna,fazenda do Pombal,etc...
A bitolinha veio para trazer o progresso,mas o progresso a destruiu.
As fotos a seguir mostram como eram feitos os transportes de cimento da fábrica em Barroso até a baldeação em Aureliano Mourão,o último serviço cargueiro da bitolinha.
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Trem dentro da fábrica de cimento Barroso.Foto de Vicente Ribeiro Thomaz. |
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vagões carregados de cimento na estação de Barroso.Autor desconhecido. |
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Locomotiva 40 com trem carregado de cimento na estação de Barroso.Autor desconhecido. |
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Locomotiva 40 com trem carregado de cimento na estação de Barroso.Autor desconhecido. |
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Até a locomotiva 22 transportava cimento,aqui ela está manobrando na estação de Barroso.Autor desconhecido. |
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A locomotiva 22 na estação de Barroso com a carga de cimento no "lombo" pronta para a viagem.Autor desconhecido. |
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Locomotiva 55 manobrando em Barroso.Autor desconhecido. |
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Reparo de última hora na locomotiva 41 no pátio da estação de Barroso.Autor desconhecido. |
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Saindo de Barroso o trem passava pela estação Engenheiro Pedro Magalhães.Foto de Paul Waters. |
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Trem com tração dupla liderado pela locomotiva 38 passando pela estação de Prados.Autor desconhecido. |
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Trem de cimento com locomotiva 37 passando pela estação de Tiradentes.Autor desconhecido. |
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A estação de São João del-Rei era parada obrigatória,não tinha como os trens passarem direto por ela,primeiro as locomotivas tinham que fazer a monobra no girador ou no triângulo de reversão para somente depois seguir para Aureliano Mourão,aqui a locomotiva 41 está com uma carga de cimento pronta para viagem em 1982.Autor desconhecido. |
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Trem com locomotiva 62 da bitolinha aguardando o trem da bitola métrica para a baldeação da carga de cimento na estação de Aureliano Mourão em 1979.Foto de Herbert Graf. |
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Trens com locomotivas da bitolinha e da bitola métrica prontas para a baldeação da carga de cimento na estação de Aureliano Mourão em 1979,depois a carga seguia para o estado do Paraná para ser usada na construção da Usina de Itaipú.Foto de Herbert Graf. |